Neste texto, o bate papo vai ao centro nervoso do seguro de transporte de cargas, que está diretamente ligado a importância de resguardar as mercadorias ou bens, dos riscos de roubo ou furto, durante o percurso ou viagem da origem até o destino final, a entrega.

Mas antes, vamos a um rápido glossário, para deixar as coisas mais claras desde o início:

  • Gerenciar: Dirigir como gerente; Gerir. Gerenciamento.
  • Risco: Perigo ou possibilidade de perigo.

Agora sim, vamos lá!

Se Gerenciar Risco é gerir o perigo ou a possibilidade de risco, para que serve o Gerenciamento de Risco e como ele é pensado?

A preocupação com a preservação das mercadorias deve partir do proprietário dos bens ou à quem foi entregue, com a responsabilidade de transportar. Mas no seguro de cargas, as regras são determinadas pela seguradora, em contrato, para que os riscos sejam minimizados, diminuídos.

Pense em uma situação casual do seu dia a dia:

Se você vai ao banco 24 horas, em uma cidade grande do Brasil, as oito horas da noite e saca mil reais. Você sai calmamente pela rua contando as notas para que todos vejam?

Claro, você pode ser ou não ser assaltado, mas você gerenciou o risco?

Obviamente não.

Vamos pensar então nos critérios utilizados pelas seguradoras, para elaborar as regras de gerenciamento de risco, que visam evitar ou diminuir o risco de um roubo para as mercadorias transportadas.

O primeiro passo é pensar como classificar as mercadorias, sua visibilidade, valor agregado, facilidade de receptação e comercialização, entre outros fatores.

Vamos citar alguns exemplos de mercadorias para exercitarmos, mas tenham sempre em mente que estes critérios variam de seguradora para seguradora.

As mercadorias são divididas entre mercadorias gerais, mercadorias específicas, restritas e mercadorias excluídas.

As mercadorias gerais, são aquelas de baixíssimo risco.

  • Máquinas e equipamentos industriais;
  • Utilidades domésticas;
  • Ferramentaria para montadoras de veículos;
  • Materiais promocionais;
  • Tampas e frascos;
  • Revistas e impressos.

Já as mercadorias específicas, são aquelas que possuem um risco maior.

É assim que as seguradoras chamam as mercadorias que demandam maiores cuidados ou que as regras de gerenciamento de risco precisam ser mais bem pensadas.

  • Bebidas em geral; 
  • Computadores em Geral, Notebooks, Desktops, Tablets, Teclados, Monitores;
  • Produtos Eletrônicos e Eletroeletrônicos em geral;
  • Calçados em Geral;
  • Confecções;
  • Cosméticos, Perfumes, Artigos de Perfumaria;
  • Produtos alimentícios;
  • Eletrodomésticos;
  • Entre outras muitas mercadorias.

Mercadorias restritas, são aquelas que precisam de aceitação específica. Como o próprio nome diz, são restritas e submetidas à condições mais detalhadas ainda.

  • Celulares, partes e peças;
  • Medicamentos de uso humano ou veterinário;
  • Matéria prima para fabricação de medicamentos de uso humano ou veterinário;

E por fim as mercadorias excluídas, são aquelas mercadorias que tem seu valor nele mesmo.

  • Ações;
  • Bilhetes de loteria;
  • Cartões de crédito;
  • Comprovantes de débitos;
  • Ordens de pagamento;
  • Dinheiro, em moeda ou papel.

Vale uma observação:

As mercadorias são classificadas por seus grupos/categorias por seu NCM (Nomenclatura Comum no Mercosul). O NCM classifica o grupo a que mercadoria pertence, mas não o seu grau de risco como citamos acima.

Depois o passo é pensar nos valores envolvidos em cada embarque, pois quanto maiores os valores envolvidos em um mesmo embarque, maior o risco.

Neste ponto as seguradoras determinam faixas de valores para definir as regras de gerenciamento.

Explicados os critérios, quais são os mecanismos utilizados para gerenciar os riscos e evitar os prejuízos?

Vamos explicar de forma simplificada, utilizando níveis.

Entendam que quanto maior o risco da mercadoria e maior valor embarcado em um mesmo veículo, mais níveis de proteção precisarão ser aplicados para a viagem.

01º Nível – Cadastro e Consulta

Cadastro e Consulta, que é a análise do perfil profissional do motorista, ajudante e proprietário do veículo.

02º Nível – Rastreamento e Monitoramento

Rastreamento e Monitoramento da carga, que é realizado através de equipamentos com tecnologia satelital e/ou rádio frequência, para saber onde o veículo está e se está dentro de seu percurso e se os equipamentos como sensores estão funcionando, tudo em tempo real.

O monitoramento é realizado por empresas de gerenciamento, que vigiam o veículo e as mercadorias durante todo o percurso da saída, até seu destino, em momento da entrega final.

03º Nível – Isca

Isca por rádio frequência, que é um equipamento colocado de forma camuflada entre as mercadorias, para que em caso de roubo da carga, esta possa ser localizada mesmo muitas horas depois do ocorrido.

04º Nível – Escolta Armada

Escolta Armada, acompanhamento de veículo e vigilantes de empresa especializada em segurança privada, autorizada pela Polícia Federal.

Existem outros mecanismos utilizados para garantir o risco, como bloqueadores, imobilizadores, equipamentos de redundância, fiscais de rota, entre outras possibilidades.

Sem contar regras de paradas em determinados locais ou perímetros, exceto em caso de emergência, restrições de horário para rodagem.

Em resumo, as apólices que garantem os riscos de roubo ou furto, terão em seu conteúdo regras de Gerenciamento de Risco, que definirão quais mercadorias, em que situações e valores por veículo precisarão atender determinadas regras para diminuir ou evitar o prejuízo.

Importante: O cumprimento das regras de gerenciamento é condição para que eventual indenização de sinistro seja realizada.

Vale lembrar que por aqui destacamos o gerenciamento de riscos para Roubo durante o percurso da viagem, mas efetivamente o risco deverá ser gerenciado também para acidentes com o veículo Transportador, vejam que o maior índice de sinistros estão ligados ao tombamento com o veículo transportador e vamos falar muito desse tema em outro artigo.

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